Exercícios poéticos, apaixonados e patéticos: pequenos mergulhos e vôos, para compartilhar...

23 de mai de 2010

Voz dos Olhos

nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além
de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto

teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente,misteriosamente) a sua primeira rosa

ou se quiseres me ver fechado, eu e
minha vida nos fecharemos belamente, de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;

nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade: cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira

(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas


(e. e. cummings)




Reminiscências


pende do galho uma paisagem com pássaro preso
como coração com árvore nevada dentro.
tempo de voltar às montanhas,
aos cumes, se cobrir de nuvens.

deserto de alma preenchido de sol.

II

deita-te na boca constelada.
o verbo foi maculado,
algumas crianças se perderam
e a infância ficou menor.
enlarguece a Casa
para caber as palavras infantis.


III

a terra alimentada pelo mistério de tua sede
amanheça girassol doado ao ventre.

(LUCIANA MARINHO)
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"A coisa mais maravilhosa do mundo que podemos experimentar é o mistério. Ele é a fonte de toda arte e ciência verdadeiras. Aquele para quem esta emoção é estranha, que não consegue mais parar, admirar e maravilhar-se, está praticamente morto: seus olhos estão fechados."

(Albert Einstein)
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Fotomontagem de FLAVIO PETTINICHI

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10 de mai de 2010

Véus, avessos, versões...




In-conclusão

Vou desenhando meus dias e noites
sobre o avesso ou direito da tela
compondo com cinzas e cintilâncias
fazendo da vida, tão ligeira e bela,
caminho com encruzos matizados
história de afetos entrançados
mapas e diagramas de errâncias
reflexos, reflexões e ressonâncias
da alma que transita pelo cosmos
te encontrando em letras e hiâncias!...


POEMA DEDICADO À STAËLL DI LUKKA
IMAGEM E TEXTO DE ANA LUISA KAMINSKI
(detalhe do quadro ELFO AZUL)