Exercícios poéticos, apaixonados e patéticos: pequenos mergulhos e vôos, para compartilhar...

7 de mai. de 2007

Antenas...







Entre Ânkoras e Asas, tentando me equilibrar, sem tirar os pés do chão nem as asas do céu, as antenas no ar....

3 de mai. de 2007

Indeléveis...


...E ficam, sim, as marcas indeléveis do vivido e sentido, em nós: os sulcos, desenhos, cicatrizes... como parte integrante do ser , de nossa urdidura e história... Nestes dias de outono, uns estados “diferentes” na alma: de leve nostalgia, saudades do passado e do porvir...No presente, suaves sobreposições e veladuras: memórias do que foi, é e será. No coração, caldeirão de emoções, sumo enriquecido pelo sabor de tantas lembranças e amores: delicadezas!...

1 de mai. de 2007

Lua Cheia


Luzes
surgem
no olhar
amado.
Noite azul
de lua cheia.
Algo na alma
pulsa e vibra,
algo no ar
nos incendeia.
Brilhos de sol
rosa nascente,
peles cintilam
na flor da aurora
suavemente.


Beijos e risos
de diamante,
cristal volátil
leve instante
em que tocamos
o paraíso
céu viajante.
Brinde alado
ao amor livre
redescoberto
eternizado.


*Poema dedicado ao doce Beija-Flor-Azul de meu coração,
Osmar Ernesto Kohn, dono de uma alma suave, amorosa e clara.

27 de abr. de 2007

Triangular...



Entre tristezas e êxtases
transitamos
mas nem sempre habitamos
os abismos ou ápices
da ondulante emoção:
existe um terceiro espaço
entre-lugar volátil, duvidoso
híbrido, enevoado, nebuloso
uma triangular abertura
ou fresta, canal, passagem
limiar, lugar de luzes e doçura
bruma leve onde dança a aragem
e balança livre o pêndulo do tempo
qual mensageiro-mágico-dos-ventos
anunciador de imprevistos e surpresas
no tilintar dos musicais movimentos
réstias de sol matinal, delicadezas
retalhos de céu anil outonal
janelas de cortinas rendadas
pontes, portais e entradas
onde repousam as asas
amantes de luz e azul
onde renascem as almas
sensíveis, suaves, serenas
libertas de segredos ou medos
prenhes de seiva vital
reluzentes de ternura
e cristal...


***Dedico este poema à linda Leila Lopes,
alma luminosa que capta e traduz em suas imagens e palavras os sinais da doçura divina presentes no mundo, lugar de tantas ambivalências, paradoxos e mistérios...

Seu trabalho pode ser visto em:
Palavra e Destino
In Margens
(ver lista de links ao lado)

25 de abr. de 2007

Asas e censuras...


...Poderias, porventura, me recriminar
pela profundidade da ternura
que palpita em ondas de saudade insistente?...

...E, acaso, deverias me acusar
pela plenitude da entrega, inteira,
por ofertar a ti meu coração, sem reservas?...

...Poderias, será, me censurar
pela completa e integral confiança
depositada em ti, alma amada, alada e aflita?...

...Poderia eu te repreender, amor,
por teres te atrevido a voar mais longe
mais livre e desejante de aventuras?...


...Deveria eu te criticar, meu bem,
pela intensidade móvel e complexa
dos coloridos entrelaçamentos de amores?...

...Poderia eu reclamar, minha doçura,
de tuas asperezas e ausências, apenas
porque prefiro doçura e aconchego constantes?...

...Deveríamos nós desistir, acaso,
de acreditar ou de insistir no possível
dos afetos, dos sonhos, das asas
e nos arrepender do vôo encantado?...

...Ou, simplesmente, vibrar e celebrar
as lembranças mais doces, memórias
dos olhares cintilantes e assombros
do prazer de habitar, por um tempo
mundos e jardins azuis compartilhados?...

23 de abr. de 2007

...germinar...


...Outro outono em nossos ciclos, tempos e estações... folhas que se avermelham, e caem, rubras, douradas, dançantes, preparando a terra para novas sementes, flores e botôes... Dormem e sonham as borboletas...

22 de abr. de 2007

Poema-ponte-passagem



POEMA: porta-pulsão
palco-porto-paixão
parede-espelho-escudo
violino-violeta-veludo...

POEMA: ponte-passagem
percurso-rumo-viagem
miragem-paisagem-doçura
delírio-vertigem-ventura...

POEMA: poço-fenda
abismo-teia-trama
tecido-rede-renda
fagulha-fogo-chama...


POEMA: pétala-pérola
pólvora-pedra-pluma
ostra-concha-casulo
onda-cascata-espuma...

POEMA: planeta-poeira
estrela-espaço-espasmo
estudo-cometa-espiral
desejo-orgia-orgasmo...

POEMA: gatilho-explosão
seiva-sangue-alquimia
trânsito-luz-infusão
êxtase-paz-epifania...

POEMA: sonho-constructo
devaneio-desenho-invenção
semente-utopia-gérmen
energia-cosmos-tesão...

12 de abr. de 2007

Veladuras...



Palavra-asa
palavra-pena
palavra-pluma

Palavra-véu
palavra-brisa
palavra-bruma

Palavra-céu
palavra-chave
palavra-chão

Palavra-pó
palavra-massa
palavra-pão

Palavra-flecha
palavra-faca
palavra-fogo

Palavra-alvo
palavra-dardo
palavra-jogo

Palavra-fio
palavra-linha
palavra-laço

Palavra-risco
palavra-fenda
palavra-traço

Palavra-pólen
palavra-sêmen
palavra-flor

Palavras vãs
vôos-viagens
ou veladuras?

Palavras-tramas
rendas de sonhos
ou tessituras

Vestindo vãos
driblando a dor
com urdiduras...



*Dedico este poema à Ana Guimarães,
por ter sido "inspirado" após a leitura de seu poema "Adição", que pode ser lido em:
http://www.veropoema.net

10 de abr. de 2007

...pólens...


...As pessoas continuam procurando respostas para a pergunta “o que é o amor?” ...
...Penso que amar a Vida é insistir em semear sonhos e paz, é teimar em tecer fios e rendas de ternura, num mundo corroído pela desesperança e impregnado de amargura...
...É estender a mão e ofertar pão, delicadeza e doçura, em vez de ir ao shopping comprar coisas caras, tentando (em vão!) preencher os vazios e ocos da alma com ilusões e compulsões consumistas...
...Amar a Vida é confiar na potência do afeto e do tempo, apesar dos apelos e exigências do mundo para que desistamos de investir no SER e nos rendamos às atratividades e armadilhas do TER... Amar é, a despeito de todos os espinhos e agruras, espalhar pétalas-palavras ao vento, pólens, perfumes e pulsões de candura!...
...Amar é desejar a preservação da própria Vida, deixando fluir a seiva do amor, tentando desendurecer corações ressequidos pelo excesso de ganância, vaidade ou violência... É, lembrando Murilo Mendes, encarar e resistir aos monstros do medo, da miséria e da alienação do mundo mecanizado e individualista... É inventar e proliferar flores e sentidos, para dar impulso vital à re-criação de si e de outrem...
...Portanto, se temos que voltar ao pó e ao chão, que sejamos, antes disso, solo de com-paixão, poeira de poesia!!!

9 de abr. de 2007

fios...




Em forma de fios
cintilantes, cristalinos
escorre a seiva vital
por caminhos curvilíneos
vaza em sonhos e sangue
em mel, lágrimas, desejos
percorrendo labirintos
nos corações humanos
entre terras e céus
sóis ou chuvas azuis
fazendo balançar
a leve nau da alma
conduzida por estrelas...

4 de abr. de 2007

Flor-de-Fogo



















Onde andará a chama incandescente
Centelha exuberante escondida
Faísca-flor-fugaz e fulgurante
A flor-solar-vivaz e atrevida?...
Onde andará a chave escarlate
A pérola da concha renascida
O brilho-luz do carmim-alyzarim
A cor, a cintilância esquecida?...
Onde estarão as leves asas rubras
A translúcida-volátil flor-da-aurora
O esboço transparente, mel do paraíso
A doçura lírika-rosada de outrora?...
Onde estará a flor-de-fogo flamejante?...
Vaporosa e perdida em abismos fundos
Viajando em outros céus e mundos
Sob mil véus, fagulha adormecida?...
Onde os riscos-lampejos das pétalas
O néctar doce da corola dourada
O segredo da flor-romã-encantada
O rio de aromas, seivas, matizes?...
Estará presa ou solta no espaço
A brincar entre nuvens, espirais e raízes
A espiar o esconde-esconde das luas
Das tempestades, das ondas, dos ventos?...
Frágil-forte flor-de-fogo flutuante
Semeando novas eras, novos tempos sem agruras
Desenhando seus caminhos finos-curvos
Sem espinhos, sem tristezas, só ternuras...


OU:

Onde andará aquela chama
Aquela centelha escondida
Faísca-flor incandescente
Aquele sinal-sol de vida?...
Onde estarão as chaves
A pérola da concha nascida
O brilho do alyzarim
A cor cintilante esquecida?...
Onde estarão as asas
Rubras da flor-da-aurora
O esboço do paraíso
A doçura rosada de outrora?...
Onde andará a flor-de-fogo?...
Em abismos profundos perdida
Viajando por outros mundos
Sob mil véus adormecida?...
Onde os riscos-estrias da pétala
O néctar da corola dourada
O rio de perfumes e seivas
O segredo da flor encantada?...
Estará solta no espaço
A brincar com estrelas e nuvens
A espiar o esconde-esconde
Das luas, das ondas, dos ventos?
Flor-de-fogo flutuante
Desenhando seus caminhos
Semeando novos tempos
Sem agruras, sem espinhos...

(esta era a primeira "versão", quase um esboço, do poema...
Às vezes, acabo gostando mais do rascunho!...
Digam o que acham...)

31 de mar. de 2007

...centelha...

No centro de tudo
uma faísca azul
(fagulha, chama, centelha)
um desejo de luz
de cor e calor
incandescente...

30 de mar. de 2007

...dança dos dias...


...Os dias deslizam, dançam, voam!... A cada dia, mais um pedacinho no mosaico de nossas existências... mais pinceladas coloridas na louca tela da vida... mais movimentos espirais, cíclicos, musicais... mais alguns fios entrelaçados, linhas cruzadas, tramas desfiadas... mais algumas manchas, mais marcas, mais matizes... outras cicatrizes, dores e cores... novas esperanças, sonhos e amores...

26 de mar. de 2007

...murmúrio musical...

...Os movimentos musicais-vitais se alternam, as melodias se encontram e se transformam,confundem-se na sucessão de momentos e ritmos, na história de cada um de nós...Sinfonias... "Allegro Vivace" alternando-se com "Acalantos" ou "Moderatos"... Entre sons e silêncios, "Andantes" ou "Graziosos", a canção da vida vai surgindo em cada coração, cabeça, boca, alma...que singra, sangra, sonha... e canta, retumba, ressoa!
...Canções e caminhos entrecruzados, harmonias ou contrastes, almas afinadas, desafinadas, dissonantes... Melodias que acalmam, encantam, envolvem, libertam,incitam, enfeitiçam, músicas que esperam, renascem, renovam, reavivam a seiva compondo novas notas e sonhos, invenções na ária fugaz e eterna... dando voz e luz ao "murmúrio infinito do cosmos"...

20 de mar. de 2007

reconfigurações...


O mais colorido e dolorido da vida talvez aconteça em suas constantes reconfigurações...

...Algo acontece, lá no fundo, e o que é???... Não sei, ainda, dizer... mas sinto os movimentos, a espiral a girar, os vórtices e vertigens, os ritmos, os ciclos, as luas e sóis que se entrelaçam, dançam, se confundem num bailado eterno- fugaz feito cintilações , constelações, colares de astros, estrelas, cristais e caracóis...

...nau e luz...

...A nau da alma ilumina
recantos, solidões, abismos
apruma asas, velas, pensamentos
lança-se à vida, aos ventos infinitos...

19 de mar. de 2007

...linhas...

...A nau da alma enovela
caminhos, corações e laços
confunde e redesenha linhas
destinos, tempos e espaços...

16 de mar. de 2007

...sonhando...

...A nau da alma singra, sangra, sonha...
...A nau da alma chora, enquanto deseja dançar...
...A nau da alma mergulha, contudo deseja voar...

13 de mar. de 2007

naus e véus

...A nau da alma singra...
...a nau da alma sangra...
...a nau da alma sonha...
Entre véus e turbulências, voa
viaja, espalhando poeira e poesia
nas entrelinhas das vidas, vislumbra
ilhas, vulcões, velas, transparências...

12 de mar. de 2007

nau da alma


A nau da alma parte
levanta ânkora, desfaz o nó
atravessa as águas de março
abre as asas no azul espaço...

A nau da alma pousa
num ponto sobre o abismo
e analisa o mapa-mandala
do mundo-labirinto-lilás...

A nau da alma pulsa
seguindo seu vôo-paixão
encontra espirais e ventos
em movimentos infinitos, in-fusão...