Exercícios poéticos, apaixonados e patéticos: pequenos mergulhos e vôos, para compartilhar...

4 de jun. de 2007

Matizes...


...Porque, enfim, existem as delicadezas: memórias-matizes dos momentos mais doces, dos instantes leves e luminosos que compartilhamos... dos vôos e pousos em jardins invisíveis, sensíveis, inventados... dos mergulhos e ardentes arrebatamentos e abraços, no espaço sideral de teu coração-cosmos viajante... Sim, sonho, escrevo e envio poemas, e rememoro, pintando estrelas, espirais e véus, pois no íntimo perduram as lembranças e luzes, estas cintilações, ainda átomos-faíscas de tantos encantos e ternuras!... E, por preferir pensar em flores e na suavidade dos encontros aéreos, das epifanias corpóreas e iluminações profanas, secretamente sagradas, componho cândidas canções em meus abismos e céus redescobertos, monto mosaicos amorosos com cacos coloridos de ventos transparentes e nuvens violeta, esboços de sorrisos, prazeres, presentes, perfumes, papéis, pedaços de palavras bebidas em tua boca, partículas de brilhos colhidos em teus olhos, beijos de uva em teus lábios líricos... Por não querer manchar este tesouro (com restos de mágoas, nódoas de amarguras ou espinhos de desconfiança) preservo o mais puro néctar de tal precioso afeto em meu sangue, seiva lilás em minh´alma, em marcas indeléveis daquela que hoje sou... Se intensifico, fantasio, se o discurso parece delirante??? Pode ser, apenas, por me sentir flutuante-tran-lúcida, estrela derretida, poeira ou música alada-i-lógica, luz e calor solar, reflexo azul de lua cheia, pétala rosada e etérea que te acaricia em sonhos... E creio, sim, que existem asas...

*(Imagem: detalhe de "Cabeça Lilás". Pintura de Ana Luisa Kaminski.)

1 de jun. de 2007

Véus


Delicada homenagem de uma amiga lírica,
Luciana Marinho:

http://www.maquilirica.blogspot.com
...Entre estrelas e véus, colhendo flores azuis enluaradas...

28 de mai. de 2007

Trans-lucidez...















Apenas pingos poucos
cintilam choram curvos
ao cosmos costurados
clamam no véu do espaço
no escuro céu crispados...
Apenas poeiras esparsas
e cores-vozes voláteis
cheirando a orvalho e chuva
circulam velozes-versáteis
dançantes no ar azul-uva...
Apenas farelos frágeis
de ferro, fogo ou brasa
afagam a boca rubra
da esbelta taça dourada
postada no centro da casa...
Apenas pedaços soltos
de desejos faiscantes
sonhos, asas e vapores
flutuam nos instantes
da tarde quase triste
fragmentos de amores...


Cacos...

Pequenos pedaços
de sonhos violetas
explodem em cacos
de luas e letras
no espaço azulado
respingam, transvazam
cristais nas gavetas
risonhos delírios
e mil borboletas...

Sopro

O universo conspira.
O silêncio sussurra.
A letra delira, pulsa, suspira...

(*Imagem: "Tran-lucidez" ou "Colagem Azul". Composição de Ana Luisa Kaminski)

25 de mai. de 2007

Transe...












As línguas doces do sol
lambem farelos de luas
nas janelas e ruas, nos véus
lambuzam almas e vidraças nuas
nos ares leves da manhã de maio
dias de mel e luz, nos céus...

(*Imagem: "In-Conclusão". Pintura de Ana Luisa Kaminski)

24 de mai. de 2007

Azul...


Andando pela rua
ambivalente manhã
clara de sol e lua
um banho de luz
abundante azul...


(*Imagem: detalhe de "Conchas Azuis".
Pintura de Ana Luisa Kaminski)

23 de mai. de 2007

Asas...



Apenas partículas, penas
restos e sombras, plumas
riscos e sonhos, traços

rastros de asas rosadas

cinzas azuis e brumas
entre vôos e pinceladas
mil volteios e vertigens
ou delicadas an-coragens
no seio das madrugadas
no violetanil, viagens
em teu céu revisitado...

Apenas partículas, gotas
sobras e respingos de luz
sinais de desejos, doçura:
saudade aveludada e densa
do sorriso solar, da ternura
nesta manhã lilás manchada
de chumbo-cobalto, escura...

Apenas partículas, grãos
letras e luas aguadas
lembranças de loucuras sãs
aquarelas, memórias aladas
nas curvas noturnas, nos vãos
insistem e cintilam, dançantes
estrelas, entrelinhas, estradas...

(Imagem: detalhe de "Anja Rosa". Pintura de Ana Luisa Kaminski)

18 de mai. de 2007

Farelos...

Clique aqui para ler o texto de Luiz Rufo sobre meu trabalho

Hoje flutuam na alma


restos de desejos rosados
cinzas estelares azuis
migalhas de sonhos violetas...



Cintilam sentidos soltos
cores
farelos de luas e letras...

...

Texto "Ticiano" de Luiz Rufo

17 de mai. de 2007

Cinzas & Estrelas














Chuvas cósmicas e vôos
no intra-caos abissal
cometas ariscos, poeiras
gotas, pingos, vendaval
acontecem nas manhãs
molhadas-móveis de maio
constelações e conjecturas
das mil danças, o ensaio...

Cristais, anéis, elipses
luas e espirais
galáxias fumegantes
e pérolas astrais
estrelas trituradas
fuligens, sais, vapores
lampejos, cintilâncias
memórias de amores...

Cacos de conchas, casulos
céus e correntes marinhas
águas, ritmos, rituais
incandescentes entrelinhas
encontros, fluorescências
colares, curvas, caracóis
no espaço livre e nebuloso
do mergulho entre-lençóis...

Cinzas de sóis e sonhos
restos, farelos, grãos
adornando pés, cabelos
pescoços, seios, mãos
na travessia da noite
brilhos, pós e pedrarias
fios de nuvens violetas
fiapos de fantasias...

11 de mai. de 2007

Gavetas & Guarda-Chuvas...









Gosto de guardar envelopes
com selos coloridos cantantes
trazendo vozes e livros alados
chegados de lugares distantes
contendo suspiros, asas, pólens
ecos de almas de poetas singrantes...

Gosto de guarda-roupas antigos
porta-chapéus e baús violetas
casacos e cachecóis, cabideiros
cômodas, criados-mudos, gavetas
cheias de papéis, chaves e cheiros
cartas e sonhos azuis, borboletas...

Gosto de guarda-chuvas flutuantes
pensamentos fluidos, frágeis, viajantes
flanando por ruas molhadas nuas flores
olhares líquidos, lagos, pedras, dores
pétalas perdidas caídas nas calçadas
poças,passos, prazeres, pingos, cores...

7 de mai. de 2007

Antenas...







Entre Ânkoras e Asas, tentando me equilibrar, sem tirar os pés do chão nem as asas do céu, as antenas no ar....

3 de mai. de 2007

Indeléveis...


...E ficam, sim, as marcas indeléveis do vivido e sentido, em nós: os sulcos, desenhos, cicatrizes... como parte integrante do ser , de nossa urdidura e história... Nestes dias de outono, uns estados “diferentes” na alma: de leve nostalgia, saudades do passado e do porvir...No presente, suaves sobreposições e veladuras: memórias do que foi, é e será. No coração, caldeirão de emoções, sumo enriquecido pelo sabor de tantas lembranças e amores: delicadezas!...

1 de mai. de 2007

Lua Cheia


Luzes
surgem
no olhar
amado.
Noite azul
de lua cheia.
Algo na alma
pulsa e vibra,
algo no ar
nos incendeia.
Brilhos de sol
rosa nascente,
peles cintilam
na flor da aurora
suavemente.


Beijos e risos
de diamante,
cristal volátil
leve instante
em que tocamos
o paraíso
céu viajante.
Brinde alado
ao amor livre
redescoberto
eternizado.


*Poema dedicado ao doce Beija-Flor-Azul de meu coração,
Osmar Ernesto Kohn, dono de uma alma suave, amorosa e clara.

27 de abr. de 2007

Triangular...



Entre tristezas e êxtases
transitamos
mas nem sempre habitamos
os abismos ou ápices
da ondulante emoção:
existe um terceiro espaço
entre-lugar volátil, duvidoso
híbrido, enevoado, nebuloso
uma triangular abertura
ou fresta, canal, passagem
limiar, lugar de luzes e doçura
bruma leve onde dança a aragem
e balança livre o pêndulo do tempo
qual mensageiro-mágico-dos-ventos
anunciador de imprevistos e surpresas
no tilintar dos musicais movimentos
réstias de sol matinal, delicadezas
retalhos de céu anil outonal
janelas de cortinas rendadas
pontes, portais e entradas
onde repousam as asas
amantes de luz e azul
onde renascem as almas
sensíveis, suaves, serenas
libertas de segredos ou medos
prenhes de seiva vital
reluzentes de ternura
e cristal...


***Dedico este poema à linda Leila Lopes,
alma luminosa que capta e traduz em suas imagens e palavras os sinais da doçura divina presentes no mundo, lugar de tantas ambivalências, paradoxos e mistérios...

Seu trabalho pode ser visto em:
Palavra e Destino
In Margens
(ver lista de links ao lado)

25 de abr. de 2007

Asas e censuras...


...Poderias, porventura, me recriminar
pela profundidade da ternura
que palpita em ondas de saudade insistente?...

...E, acaso, deverias me acusar
pela plenitude da entrega, inteira,
por ofertar a ti meu coração, sem reservas?...

...Poderias, será, me censurar
pela completa e integral confiança
depositada em ti, alma amada, alada e aflita?...

...Poderia eu te repreender, amor,
por teres te atrevido a voar mais longe
mais livre e desejante de aventuras?...


...Deveria eu te criticar, meu bem,
pela intensidade móvel e complexa
dos coloridos entrelaçamentos de amores?...

...Poderia eu reclamar, minha doçura,
de tuas asperezas e ausências, apenas
porque prefiro doçura e aconchego constantes?...

...Deveríamos nós desistir, acaso,
de acreditar ou de insistir no possível
dos afetos, dos sonhos, das asas
e nos arrepender do vôo encantado?...

...Ou, simplesmente, vibrar e celebrar
as lembranças mais doces, memórias
dos olhares cintilantes e assombros
do prazer de habitar, por um tempo
mundos e jardins azuis compartilhados?...

23 de abr. de 2007

...germinar...


...Outro outono em nossos ciclos, tempos e estações... folhas que se avermelham, e caem, rubras, douradas, dançantes, preparando a terra para novas sementes, flores e botôes... Dormem e sonham as borboletas...

22 de abr. de 2007

Poema-ponte-passagem



POEMA: porta-pulsão
palco-porto-paixão
parede-espelho-escudo
violino-violeta-veludo...

POEMA: ponte-passagem
percurso-rumo-viagem
miragem-paisagem-doçura
delírio-vertigem-ventura...

POEMA: poço-fenda
abismo-teia-trama
tecido-rede-renda
fagulha-fogo-chama...


POEMA: pétala-pérola
pólvora-pedra-pluma
ostra-concha-casulo
onda-cascata-espuma...

POEMA: planeta-poeira
estrela-espaço-espasmo
estudo-cometa-espiral
desejo-orgia-orgasmo...

POEMA: gatilho-explosão
seiva-sangue-alquimia
trânsito-luz-infusão
êxtase-paz-epifania...

POEMA: sonho-constructo
devaneio-desenho-invenção
semente-utopia-gérmen
energia-cosmos-tesão...

12 de abr. de 2007

Veladuras...



Palavra-asa
palavra-pena
palavra-pluma

Palavra-véu
palavra-brisa
palavra-bruma

Palavra-céu
palavra-chave
palavra-chão

Palavra-pó
palavra-massa
palavra-pão

Palavra-flecha
palavra-faca
palavra-fogo

Palavra-alvo
palavra-dardo
palavra-jogo

Palavra-fio
palavra-linha
palavra-laço

Palavra-risco
palavra-fenda
palavra-traço

Palavra-pólen
palavra-sêmen
palavra-flor

Palavras vãs
vôos-viagens
ou veladuras?

Palavras-tramas
rendas de sonhos
ou tessituras

Vestindo vãos
driblando a dor
com urdiduras...



*Dedico este poema à Ana Guimarães,
por ter sido "inspirado" após a leitura de seu poema "Adição", que pode ser lido em:
http://www.veropoema.net

10 de abr. de 2007

...pólens...


...As pessoas continuam procurando respostas para a pergunta “o que é o amor?” ...
...Penso que amar a Vida é insistir em semear sonhos e paz, é teimar em tecer fios e rendas de ternura, num mundo corroído pela desesperança e impregnado de amargura...
...É estender a mão e ofertar pão, delicadeza e doçura, em vez de ir ao shopping comprar coisas caras, tentando (em vão!) preencher os vazios e ocos da alma com ilusões e compulsões consumistas...
...Amar a Vida é confiar na potência do afeto e do tempo, apesar dos apelos e exigências do mundo para que desistamos de investir no SER e nos rendamos às atratividades e armadilhas do TER... Amar é, a despeito de todos os espinhos e agruras, espalhar pétalas-palavras ao vento, pólens, perfumes e pulsões de candura!...
...Amar é desejar a preservação da própria Vida, deixando fluir a seiva do amor, tentando desendurecer corações ressequidos pelo excesso de ganância, vaidade ou violência... É, lembrando Murilo Mendes, encarar e resistir aos monstros do medo, da miséria e da alienação do mundo mecanizado e individualista... É inventar e proliferar flores e sentidos, para dar impulso vital à re-criação de si e de outrem...
...Portanto, se temos que voltar ao pó e ao chão, que sejamos, antes disso, solo de com-paixão, poeira de poesia!!!

9 de abr. de 2007

fios...




Em forma de fios
cintilantes, cristalinos
escorre a seiva vital
por caminhos curvilíneos
vaza em sonhos e sangue
em mel, lágrimas, desejos
percorrendo labirintos
nos corações humanos
entre terras e céus
sóis ou chuvas azuis
fazendo balançar
a leve nau da alma
conduzida por estrelas...

4 de abr. de 2007

Flor-de-Fogo



















Onde andará a chama incandescente
Centelha exuberante escondida
Faísca-flor-fugaz e fulgurante
A flor-solar-vivaz e atrevida?...
Onde andará a chave escarlate
A pérola da concha renascida
O brilho-luz do carmim-alyzarim
A cor, a cintilância esquecida?...
Onde estarão as leves asas rubras
A translúcida-volátil flor-da-aurora
O esboço transparente, mel do paraíso
A doçura lírika-rosada de outrora?...
Onde estará a flor-de-fogo flamejante?...
Vaporosa e perdida em abismos fundos
Viajando em outros céus e mundos
Sob mil véus, fagulha adormecida?...
Onde os riscos-lampejos das pétalas
O néctar doce da corola dourada
O segredo da flor-romã-encantada
O rio de aromas, seivas, matizes?...
Estará presa ou solta no espaço
A brincar entre nuvens, espirais e raízes
A espiar o esconde-esconde das luas
Das tempestades, das ondas, dos ventos?...
Frágil-forte flor-de-fogo flutuante
Semeando novas eras, novos tempos sem agruras
Desenhando seus caminhos finos-curvos
Sem espinhos, sem tristezas, só ternuras...


OU:

Onde andará aquela chama
Aquela centelha escondida
Faísca-flor incandescente
Aquele sinal-sol de vida?...
Onde estarão as chaves
A pérola da concha nascida
O brilho do alyzarim
A cor cintilante esquecida?...
Onde estarão as asas
Rubras da flor-da-aurora
O esboço do paraíso
A doçura rosada de outrora?...
Onde andará a flor-de-fogo?...
Em abismos profundos perdida
Viajando por outros mundos
Sob mil véus adormecida?...
Onde os riscos-estrias da pétala
O néctar da corola dourada
O rio de perfumes e seivas
O segredo da flor encantada?...
Estará solta no espaço
A brincar com estrelas e nuvens
A espiar o esconde-esconde
Das luas, das ondas, dos ventos?
Flor-de-fogo flutuante
Desenhando seus caminhos
Semeando novos tempos
Sem agruras, sem espinhos...

(esta era a primeira "versão", quase um esboço, do poema...
Às vezes, acabo gostando mais do rascunho!...
Digam o que acham...)