...Alguns dias fora do ar, no ar
voando, sonhando, mergulhando
no mar...
Exercícios poéticos, apaixonados e patéticos: pequenos mergulhos e vôos, para compartilhar...
22 de dez. de 2006
21 de dez. de 2006
cristal e pó

Utopia: um mundo límpido e luminoso, leve e cristalino, livre de violência e dor, onde imperem paz, alegria, amor...
Entretanto...
de luzes e sombras somos
tecidos, e feitos
de lágrimas e risos,
conteúdo e cortornos
inacabados cristais
misturam-se em nós
mágica, mel e medo
água, terra e estrelas
explosões e silêncio
coragem, ferida, segredo
prazer, asas, agonia
somos plenitude e pó
de poesia...
17 de dez. de 2006
alma cristalina
Numa noite de chuva, num dia de verão, re-descubro-me, colorida, vibrante e cristalina...
15 de dez. de 2006
convergências
Mágicos pontos de confluência em que almas-aladas-amantes se encontram e bailam, cintilantes, no cosmos, além dos limites do espaço-tempo, em fulgurante e suntuosa comunhão!...
Belos são os fios invisíveis do afeto, eternizados em ternura!...
Lindo viver, nestes momentos de rara afinação, suave sintonia e loucura!...
Líriko prazer, nos instantes de pouso (ou vôos?): pontos de convergência entre diversidade, energia e doçura!...
14 de dez. de 2006
13 de dez. de 2006
12 de dez. de 2006
vislumbres
Através ou por trásdos véus, dos vãos
entre as frestas e fitas
dos olhares e fatos
nas entrelinhas suaves
dos ditos e não-ditos
nos interstícios neutros
nos limiares noturnos
vislumbramos sonhos
inventamos caminhos
e rios, risos e mares
entrevemos estrelas
matizamos espelhos
libertamos azuis
almas, asas, amores...
11 de dez. de 2006
10 de dez. de 2006
portais
8 de dez. de 2006
nonsense
6 de dez. de 2006
Interstícios
As imagens-portais abrem a entrada para um mundo surreal, onde deslocamentos espaciais, mudanças de escala, transfigurações e analogias criam uma atmosfera onírica que encanta e assusta, espanta e atrai os olhares distraídos ou interessados que sobre elas pousam. As telas-veladuras são aberturas, frestas ou fissuras para mundos imaginados, reais e inventados, onde nada é apenas rachadura ou vão... Os interstícios, fendas e fissuras abertos pelas imagens pintadas provocam os olhares e instigam os amantes da arte e dos sonhos a adentrarem nestes tempos-espaços revelados através de tintas e pincéis, que velam-desvelam os vazios e plenos de sentido de nossas almas inquietas e desejantes.
Visite também: www.luisakaminski.nafoto.net
Imagem: "Onírico Orchis" , pintura de Ana Luisa Kaminski
30 de nov. de 2006
29 de nov. de 2006
rasuras
A cada dia que passamergulho mais fundo
e transborda a taça
redescubro o mundo
risco na vidraça
esboços de linhas
que o tempo enlaça
ouço e não lamento
as pausas e acordes
as notas do acordo
as cores da noite
os rumos que a vida
conduz e abraça
luz, nau, poesia
vital e inventada
que nunca esvazia...
Rasuro ou remendo
pintando uma lua
compondo um tango
embarco na tela...
Imagem de Roberto Volta: " Tango Onírico"
26 de nov. de 2006
pinceladas
24 de nov. de 2006
23 de nov. de 2006
alizarim

Vento e calor na pele e no pensamento, vontades voláteis, volições e vertigens, viagens na contramão, mudanças de rota nos rumos do verão!
É o que verte de mim: carmim=coração=alizarim, nestes dias em que o corpo espera pelo abraço, a boca anseia pelo beijo, a alma aguarda o encontro...
Rubro-escarlate querer, substitui a tristeza gris!...
Flutuam pelo ar cheiros de rosas e maçãs maduras...
17 de nov. de 2006
retratos

Tarde tépida, ventos de chuva, lembranças doces de fins de semana que começavam na sexta-feira...
Aula dada, alunos atendidos e, agora, algumas horas soltas, para fazer o que der na telha... Planos: PINTAR: retratos, retratos, retratos que tão somente esboçam a profundidade dos seres retratados, que evocam nuances dos conteúdos guardados, que às vezes até apontam para algo além dos rostos contornados... Inevitavelmente, meus pensamentos voam em tua direção, e quase me arrependo dos impulsos escritos...por um instante, me convenço de que talvez fosse melhor calar , quando as palavras falham!... Embora tente ultrapassar os muros com as asas dos poemas, dos morfemas, dos múltiplos sentidos das letras, em certos momentos de excitação-paixão da alma e da pele, somente a pintura parece oferecer a chance de uma libertação mais plena, de um reencontro da paz e da delicadeza necessárias para elaborar e conduzir os afetos por caminhos novos e antigos, tortuosos ou tranqüilos...Lembro de ti com leveza e emoções cintilantes... gratidão, admiração e tesão, pelo que foi, é, ou adivinhando o devir. Sorrio de tua sede de viagens e aventura. Me reconheço, às vezes, na ânsia da procura. Descubro as diferenças entre os mapas e diagramas. Me embriago na confusão das cores que se misturam, encontros de âncoras, portos e naus em instantes de amizade pura...Constato os contrastes, retoco e re-desenho os detalhes destas belas memórias, diluio em aquarela a mancha mais escura, acentuando a luz no ponto da candura... Penso nas possibilidades que para nós se desdobram: janelas, híbridas aberturas. Imagino o verão, o calor, a maravilha eterna e fugaz de cada iluminura... Desejo te abraçar no ar, só para te mostrar a força da ternura.
15 de nov. de 2006
bordados
12 de nov. de 2006
remendos
A alma tecelã-fiandeira, ins-pirada, tece rendas e sonhos, novelos de nuvens, desejos, segredos, memórias, à procura de si, vertendo seu mel... Costura sensações (e corações?), recicla idéias e remenda emoções à custa das convicções-convulsões interiores que a fazem buscar a verdade invisível, vislumbrada através da trama (de suspiros? vontades? intrigas? mistérios?) . A alma atribulada, vagabunda e venturosa tece tais delicadezas, urdiduras-intrincadas, feito frágil guerreira-artesã, mendiga em suas riquezas, rica em meias-verdades... Ela se esconde e se enovela, tentando se encontrar e, ao esquivar-se, mais ainda se re-vela, manchada de tintas, de sangue e sal, lambuzada de lágrimas, doçuras e amarguras mescladas em seu íntimo tumultuado, matizado de amores... Sabe-se amada e amante, mas teme a entrega plena e espera, vacilante, calculando o alcance e a força dos fios (de ferro? de ouro? de aço?) antes de se lançar ao abismo, aos labirintos de sua alma-viajante. Ela é seu próprio Tesouro, Minotauro e Ariadne, e se salva ou se devora, ao sabor dos desejos delirantes-in-constantes que sempre se revelam vaporosos e voláteis, na beleza transitória produtora de prazeres e cintilações esparsas eternamente almejados por sua natureza errante... A lynda fiandeira-fragmentada gira em torno de si mesma, buscando o centro da mandala, onde está a chave-mestra que a ajudará a decifrar o próprio enigma ... Sem saber, a alma-tecelã está salva, pelo fio condutor do amor que a livra da perdição, pela ternura que anula o fel de um momento infeliz, pelo sincero desejo de Vida que em breve a fará encontrar alimento luminoso-etéreo para a insaciável sede de sentir, saber e ser... Alma fiandeira, tecida de poemas, estrelas e epifanias, êxtases e agonias, fiada por linhas lírikas e redes infinitas, neste instante-já, tenta se libertar da própria teia!... Presa à armad-ilha, cujos raios-fios-de-seda-e-luz a seguram, (e cegam? asseguram?) ambivalente-mente, a "proteção-prisão" (arma-dura) impede a libertação (de si), talvez apenas pelo necessário entre-meado-tempo, também tecido, bordado, des-fiado...Enquanto espera, recolhe flores, cores e fios que farão parte das próximas montagens, remendos, costuras, viagens ...sem fim nem começo, até descobrir que é tão eterna, fluida e fugaz quanto as bordas do mundo, e constatar que deixa (atrás e adiante) de si, na tessitura-escritura, rasuras e relevos, rastros e restos de dom e veneno, sinais indeléveis de luz e sombra pelos caminhos e tapeçarias, diariamente redesenhados...
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