Exercícios poéticos, apaixonados e patéticos: pequenos mergulhos e vôos, para compartilhar...

24 de nov. de 2006

alquimia

A lágrima

derrete

um resto

de dor

no coração

de leoa

e lava

a alma

que ama

a vida

e pinta

o mundo...

23 de nov. de 2006

alizarim


Vento e calor na pele e no pensamento, vontades voláteis, volições e vertigens, viagens na contramão, mudanças de rota nos rumos do verão!
É o que verte de mim: carmim=coração=alizarim, nestes dias em que o corpo espera pelo abraço, a boca anseia pelo beijo, a alma aguarda o encontro...
Rubro-escarlate querer, substitui a tristeza gris!...

Flutuam pelo ar cheiros de rosas e maçãs maduras...

17 de nov. de 2006

retratos


Tarde tépida, ventos de chuva, lembranças doces de fins de semana que começavam na sexta-feira...
Aula dada, alunos atendidos e, agora, algumas horas soltas, para fazer o que der na telha... Planos: PINTAR: retratos, retratos, retratos que tão somente esboçam a profundidade dos seres retratados, que evocam nuances dos conteúdos guardados, que às vezes até apontam para algo além dos rostos contornados... Inevitavelmente, meus pensamentos voam em tua direção, e quase me arrependo dos impulsos escritos...por um instante, me convenço de que talvez fosse melhor calar , quando as palavras falham!... Embora tente ultrapassar os muros com as asas dos poemas, dos morfemas, dos múltiplos sentidos das letras, em certos momentos de excitação-paixão da alma e da pele, somente a pintura parece oferecer a chance de uma libertação mais plena, de um reencontro da paz e da delicadeza necessárias para elaborar e conduzir os afetos por caminhos novos e antigos, tortuosos ou tranqüilos...Lembro de ti com leveza e emoções cintilantes... gratidão, admiração e tesão, pelo que foi, é, ou adivinhando o devir. Sorrio de tua sede de viagens e aventura. Me reconheço, às vezes, na ânsia da procura. Descubro as diferenças entre os mapas e diagramas. Me embriago na confusão das cores que se misturam, encontros de âncoras, portos e naus em instantes de amizade pura...Constato os contrastes, retoco e re-desenho os detalhes destas belas memórias, diluio em aquarela a mancha mais escura, acentuando a luz no ponto da candura... Penso nas possibilidades que para nós se desdobram: janelas, híbridas aberturas. Imagino o verão, o calor, a maravilha eterna e fugaz de cada iluminura... Desejo te abraçar no ar, só para te mostrar a força da ternura.

15 de nov. de 2006

bordados


Entre-linhas-de-cor-e-fusos-penas-pincéis, fios de nuvens- matizes e pontos-pincelados, novelos de sonhos, rocas de invenções e bilros tonalizados, agulhas e fagulhas de idéias, segredos costurados, vou fiando meus desejos, tecendo meus dias, pintando e bordando o mundo...

12 de nov. de 2006

remendos

A alma tecelã-fiandeira, ins-pirada, tece rendas e sonhos, novelos de nuvens, desejos, segredos, memórias, à procura de si, vertendo seu mel... Costura sensações (e corações?), recicla idéias e remenda emoções à custa das convicções-convulsões interiores que a fazem buscar a verdade invisível, vislumbrada através da trama (de suspiros? vontades? intrigas? mistérios?) . A alma atribulada, vagabunda e venturosa tece tais delicadezas, urdiduras-intrincadas, feito frágil guerreira-artesã, mendiga em suas riquezas, rica em meias-verdades... Ela se esconde e se enovela, tentando se encontrar e, ao esquivar-se, mais ainda se re-vela, manchada de tintas, de sangue e sal, lambuzada de lágrimas, doçuras e amarguras mescladas em seu íntimo tumultuado, matizado de amores... Sabe-se amada e amante, mas teme a entrega plena e espera, vacilante, calculando o alcance e a força dos fios (de ferro? de ouro? de aço?) antes de se lançar ao abismo, aos labirintos de sua alma-viajante. Ela é seu próprio Tesouro, Minotauro e Ariadne, e se salva ou se devora, ao sabor dos desejos delirantes-in-constantes que sempre se revelam vaporosos e voláteis, na beleza transitória produtora de prazeres e cintilações esparsas eternamente almejados por sua natureza errante... A lynda fiandeira-fragmentada gira em torno de si mesma, buscando o centro da mandala, onde está a chave-mestra que a ajudará a decifrar o próprio enigma ... Sem saber, a alma-tecelã está salva, pelo fio condutor do amor que a livra da perdição, pela ternura que anula o fel de um momento infeliz, pelo sincero desejo de Vida que em breve a fará encontrar alimento luminoso-etéreo para a insaciável sede de sentir, saber e ser... Alma fiandeira, tecida de poemas, estrelas e epifanias, êxtases e agonias, fiada por linhas lírikas e redes infinitas, neste instante-já, tenta se libertar da própria teia!... Presa à armad-ilha, cujos raios-fios-de-seda-e-luz a seguram, (e cegam? asseguram?) ambivalente-mente, a "proteção-prisão" (arma-dura) impede a libertação (de si), talvez apenas pelo necessário entre-meado-tempo, também tecido, bordado, des-fiado...Enquanto espera, recolhe flores, cores e fios que farão parte das próximas montagens, remendos, costuras, viagens ...sem fim nem começo, até descobrir que é tão eterna, fluida e fugaz quanto as bordas do mundo, e constatar que deixa (atrás e adiante) de si, na tessitura-escritura, rasuras e relevos, rastros e restos de dom e veneno, sinais indeléveis de luz e sombra pelos caminhos e tapeçarias, diariamente redesenhados...

11 de nov. de 2006

oficina de nuvens e sonhos


No calor do casulo-casa-cor-atelier
re-descubro o valor de uma lynda exceção
no intervalo do entre, na fresta do mundo
mergulhando no nada, encontro o profundo
re-invento o tudo, rabiscando o etéreo
entre telas e tintas, mil e uma rasuras
gestos e pensamentos viram vôos, viagens
e o pincel deslizante delira, à procura
do segredo da vida, da alma, do sangue
vivenciando vertigens sem perder o comando
das asas do vento, do rumo do sonho
encontrando teu rosto no invisível pintado
no lirismo secreto da oficina de nuvens
na expressão delicada, mais doce e tão densa
de uma vida tecida, de um beijo bordado
no instante feliz de uma inspiração!

9 de nov. de 2006

retalhos












Roupas balançam nos varais, coloridas,
Lembrando tempos de prazer e esperança
Flores rosadas rodopiam no ar, atrevidas
Enquanto o vento coreografa suas danças
Restos de aromas e doçuras perdidos
Bailam na luz refazendo meus sonhos
Doses de cor, desfiados remendos
Tecem retalhos de momentos tristonhos
Recombinando seus tecidos floridos
Fotos e textos asseguram que existe
Algo além do visível e traduzem, esparsos,
Movimentos de amor, gôzos em mil compassos
Entre aqui e acolá, num mágico instante-espaço
Entrevejo suturas no vitral- contraponto
Costura alizarim com fios de ouro entrançados
No fugaz interstício entre pedaços de mundos
Que se con-fundem-re-fazem num patchwork encantado
Escrevendo seus quadros, pintando poemas
Glorificando a vida, reinventando o bordado...

7 de nov. de 2006

Encantamento










Um dia fui tua fada, princesa encantada, rainha-borboleta
Hoje sou amiga ou nada? talvez parte do caminho...
Mas, de preciosidade, virei pedra ou pergaminho!?!...
Qual terá sido a causa da veloz transformação?
O que terá gerado tanta dor e confusão?
Foi alguma palavra mal-dita, foi ardil ou armadilha?
Foi varinha de condão, foi poção de caldeirão?
Foi o amor pelos mistérios, ou boa-fé surrealista?
Foi brincadeira divina, destino torto de artista?
Foi a nuvem passageira, foi feitiço ou disfarce?
Foi o xadrez da vida, contra-ponto-ama-lukado
Que separou ou derrubou as peças
E deslindou os fios bordados?

Sinto saudades mas aprendo
Que nada do que for será
Do jeito que já foi um dia
Pois o que resta é retalho,
memória, rasura ou remendo...
Contudo, se choro dormindo,
Sorrio à luz solar da manhã
Diante do efêmero-e-terno
Bem-querer lylás no divã
Analuisado em telas etéreas
Despedaçado em sonhos desfeitos
Redesenhado em transparências de asas
De borboleta atrevida-insistente
Que ainda acredita, leve-livre-valente,
Em promessas de amor(im)perfeito
E envia, incansável, seus beijos azuis
chovendo sobre o jardim, já molhado...

20 de out. de 2006

improvisos...


Imaginação e memória
contando a história
que se improvisa e re-faz
invenção do impuro
ousadia inocente
apagar os limites
entre o claro e escuro
na vida da gente
no fundo da mente
à beira do abismo
na borda da alma
na pista do sonho
mist- ur-ar
art-i-manhas
amores em questão...

27 de set. de 2006

nascente



Alegria nascente
na alma,
olhando o infinito
poema
da vida que se

re-faz
adivinhando
o pulsar

da gema
e a voz do viver,

sementes
de uvas e sonhos
os ovos as asas
os vôos
as curvas

na contramão...


O tesão da tela
a leveza da letra
o lirismo da boca

as bordas do mundo
da flor-borboleta
luas-limiares
sorvendo sensações
e sumos triangulares
ciclos e movimentos
mandalas e ventos
em devaneios
espirais
...

15 de set. de 2006

semear


...Hora de semear novos sonhos, arar a alma, remendar o coração...

29 de ago. de 2006

Escrito nas Estrelas















Entre efêmero e eterno
transitamos
entre o que foi
e o que ficou
afinamos

os passos de passageiros
finitos do infinito
preparamos

a fuga, entre mínimas e semibreves
filosofamos
entre sons e silêncios e vozes

pausamos
procuramos direções,
sintonias
paz e prazer

melodias
mesclamos tintas e linhas

tecemos
com fio de lágrimas e estrelas

novas encruzilhadas
nuanças, harmonias, compassos
incorporando em nós o Outro

de novo fascinados
para mais tarde estranhar

nas poeiras das estradas
as pedras e
espinhos
e cacos de vidro

perdidos nos caminhos
mas nem por isso cedemos

aos medos e jamais
achamos
que é tarde
e nos virando ao avesso

arriscamos
reinventar histórias e
segredos...

26 de ago. de 2006

estrelas


Tua presença deixa em mim impressões... no pensamento, na pele da alma, na palma da mão... como se já tivesse vislumbrado, um dia, tua luz... teus traços, tua força invisível... As surpresas da vida são estrelas e encruzilhadas... cruzamentos, entrançamentos de fios... que se afastam, parecendo se perder,para mais tarde voltarem a se encontrar, no finito-infinito de suas procuras, nas curvas dos caminhos... Ora o encanto com estrelas-paixões que embebem a alma em seu mel... ora procurando novos brilhos para, no fim, voltar a se reencontrar, no fundo de si, em luzes de constelações conhecidas... eternos viajantes no cosmos volátil da invenção... É preciso saber ver o invisível e perene nas estrelas que temos nas mãos... para que elas não se percam em nossa sede insaciável de vôos, enquanto já possuímos tesouros entre os dedos e os fios de nossos bordados...

10 de ago. de 2006

Recomposição...


Vou pintando meus dias e noites
sobre o avesso ou direito da tela
vendo estrelas e nuvens em teus
olhos enluarados e em cada
volta da vida ligeira e bela
que se desfaz e refaz em fuligens
se recompõe sobre poeiras, matizes
redesenhando universos em nós...
Crio nos versos e ventos as asas
do tempo a tecer novas tramas e rendas
nos espasmos de corações e amores
revejo luzes, espinhos e cores
que me transportam a ti, enlaçando
caminhos, cicatrizes, segredos
e sumos misturando, sem medo
de se aventurar a outros vôos
buscando flores de agosto em janelas
azuis e roxas, laranjas, amarelas
nas esperanças de setembro vontades
desejos transparentes de ser, liberdade...

31 de jul. de 2006

sons e silêncios

Tua voz chegou até aqui como o sussurro suave e doce de uma brisa noturna...

30 de jul. de 2006

luzes


" A luz de uma personalidade superior brilha novamente; sua influência se faz sentir entre aqueles que crêem nela e se reúnem à sua volta. Um novo tempo começou e com ele a boa fortuna. Assim como o sol brilha com redobrada beleza após a chuva, ou a floresta cresce mais verdejante após um incêndio, assim também a nova era parece mais gloriosa pelo contraste com a miséria do período que passou."

(I Ching)

Entre o efêmero e o eterno, renascemos a cada dia, a cada momento, a cada estação...

25 de jul. de 2006

Entrelinhas

Além do Abismo
-
Viajando entre os véus voláteis dos sonhos
e através das entrelinhas e entrelaçamentos
somos presos ou nos soltamos?...
-
A liberdade-ilusão
fugidia
vem, nos auxilia
a sair da prisão
construída pelos cruzamentos
entre dúvidas,certezas e desejos...
-
A rede de conexões
entre os aparentes acasos
cujos fios costurados
pelo olhar atento,
agudo e crítico
permite a ultrapassagem
ou mais nos captura?...
-
Nesta ânsia de encontro
com algo que buscamos
e do qual fugimos
( verdade revelada
pela falha fugaz, de relance
num instante que cintila )
seguimos adiante
e sempre atrás
do além do abismo...

24 de jul. de 2006

Além do jardim...


Entro e saio de ti
sem sentir resistências
nem percebo as portas
ou se existem paredes
nesta residência
onde vive tua alma
livre e enluarada
beijo teu coração
entre alado e aflito
atravesso janelas e subo
escadas transparentes
descubro sótãos, saídas
visito teus porões e jardins
sinto saudades do eterno
presente em ti e em mim...

7 de jul. de 2006

passagem

















No trânsito insólito-inexato
inevitável epifânico lylás
entre ânkoras & asas azuis
muitas vezes morri, verde-violeta
outras tantas renasci, rosa-alizarim...

Nestes partos de mim mesma-outra
senti dores esparsas e raros prazeres
entre risos brilhantes e tristezas roxas
nestas danças da existência, às vezes atrozes
mergulhei e reemergi em muitos mares de nós...

E se hoje narro meus parcos delírios
e esboço novas asas lírikas
resgatando encantatórias, lépidas palavras
é porque me refiz, enfim, mais louka
é porque muito já sonhei, e despertei, revivi!!!

6 de jul. de 2006

Entre...

Ânkoras e Asas

Neste trânsito
- oscilante
condensado
delirante
adoidado -
entre âncoras
e asas verdes
violetas
bailarinas
entre dóceis
e indóceis
movimentos
me dissipo
disciplino
meus desejos
me escondo
de meus medos
me afogo
em lembranças
me socorro
em devaneios
me liberto
entre linhas
coloridas
e mergulho
bem no fundo
bem no alto
bem no longe
de meu cosmo
estrelado
interior...