Pinga sobre o papel uma gôta do tinto que bebo tentando atenuar a tristeza... mancha e colore a página, onde traduzo emoções, e vai tingindo, também, pensares, sonhos, sentires... Penso sobre as almas humanas, inquietas. As almas humanas sedentas e desejantes, sensíveis e insensíveis, alopradas. As almas alucinadas, as almas iluminadas... e onde está o intervalo, o interstício invisível entre desejo e medo, azul e alizarin, entre pleno e vazio de sentido?... Suave e sutil diferença, desvão, entre epifania e delírio, alucinação e visão...Contraste crucial entre agonia e gôzo! Entre loucura e lucidez, onde está o limite, e qual será o limiar da paixão, no apetite vital que nos move?... Onde, o segredo da luz?...
Imagem: Pintura "Violinos Oníricos", de Ana Luisa Kaminski