O mar, meus amigos, foi feito para a lua. O mesmo azul veste ambos, braço antigo. A mesma força anima aos dois espelhos, agita os átomos em comum, tudo se funde, é o mesmo longe, o mesmo escuro, o mesmo mistério, a mesma maresia. Por essa porta para universo dirigi meus passos. Na areia onde as estrelas caem em pó sobre as sandálias e as dunas. Como não pensar que tudo dança, tudo muda, tudo se transmuta e transporta? Ah, ficam lá passos passados, lágrimas, asas.
(Bernardino Guimarães)
..............................
Escolho no céu delicadas arquitecturas de sonhos, sedas que se tecem de azul em azul. O astro branco alumia cá em baixo as vagas, mar alto, mar chão, mar manso. Nas rochas joga-se o jogo, sal, tenazes de caranguejo, estrelas do mar da via láctea, cavalos marinhos em corrida. Dunas, duras, lunares de areia, geometria. O quadrante celeste engole o oceano, tudo veste o definitivo vestido azul escuro, noite. Vagueio só entre cabelos e algas. A princesa dorme, não há vaga, nem vagas que a acordem.
(Bernardino Guimarães)
................
"Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura."
(Friedrich Nietzsche)
..........................
*IMAGEM: "CARACÓIS ONÍRICOS".
PINTURA de ANA LUISA KAMINSKI