Exercícios poéticos, apaixonados e patéticos: pequenos mergulhos e vôos, para compartilhar...

27 de abr de 2006

Piano...


Piano, piano... pelas teclas e telas viajo, entre notas e pincéis, tons e semi-tons, te entre-vejo... Sons se espalham pelo ar , borboletas transparentes bailando no espaço colorido da concha-casa-casulo... Oficina de sons e de sonhos, suavidades inventadas ao sabor do tempo, tonalidades transformadas em escalas e crisálidas cromáticas, escadas, caracóis... em asas e antenas de ousados, arriscados amores...
Alados pianos murilianos, flautas mágicas de Mozart, tambores de Clarice... plenitude do prazer, perfeição e poesia...Misturas e harmonias entre marfim e gris, combinações às vezes dissonantes entre azul e alizarim, laranja e lylás, divagações in-conclusas... entre o tocar Chopin ou namorar a tela que me espia com seus olhares abissais e insistentes... exigentes... entre semibreves e mínimas, colcheias e semi-colcheias, semifuzas... Allegro ou Lento, a tempo, con anima, Vivace!...
Em cada canto deste mundo, possibilidades e desejos, tua presença incomparável, a pintura de nossas afeições, o desenho de nossas histórias...
Entre telas e teclas, delineando agridoces trajetórias, nosso melhor PRESENTE...



21 de abr de 2006

Irromper...


Irromper...

Casa-casulo-concha: oficina de sonhos, mundo-atelier-tecelaria de vidas e emoções, carpintaria de caminhos, fábrica de amores... Festa invisível e íntima, em minh´alma, no feriado chuvoso, entre as águas da ilha: celestiais e marinhas...
A cama desfeita até tarde... as bagunças coloridas e o aconchego do ninho... a penumbra da sala e as filigranas de luzes suaves formando desenhos sobre os móveis, o piso, as paredes e telas... os perfumes do quarto, da pele, dos lençóis azuis com flores cor-de-rosa a me lembrar... dos vôos e viagens em noites de lua cheia...
Procura de alimento: nas cores e cheiros das tintas, no movimento das mãos e pincéis, nas páginas do velho oráculo....buscando respostas em imagens, sensações, palavras, signos, ideogramas... Trocas de afeto: ao vivo, com filhos do próprio ventre, e virtuais, vias variadas, tele-fônicas declarações ou ele-trônicas ligações pintadas de sol e lua, de azul e amarelo, de violeta e alizarim...
Abertura de caminhos, pontes que se erguem, cintilantes, desafiando distâncias espaço-temporais... Luzes e sombras que se combinam em delicada trama, a gama de matizes da alma, infinita, a irromper desde a aurora.... vertendo de dentro de um sonho feliz: divino!
Te procuro, te acho... nos encontramos, humildes e altivas, serviçais e rainhas, dentro e fora de nós, no abismo dos espelhos, dos olhares, desvendamo-nos... Te amo.





9 de abr de 2006

Contrastes


...E, se não podemos evitar confrontos com nossas sombras e cacos de vidros,que saibamos transformá-los em pinturas e esculturas invisíveis, inventando novos modos de aprender com os contrastes e dissonâncias... Talvez um dia desses nossas almas encontrem a fórmula alquímica que transforma em prazer todas as diferenças, que extrai o mel da poesia dos contrários, que encontra luz de lua e sol nos paradoxos... Estamos viajando, juntas, e unas, na nave deste bem-querer que permitimos florescer em nossas vidas!...

8 de abr de 2006

Madrugada



MADRUGADA...




Mágica da vida que renasce e floresce a cada instante, imediata ou lentamente após tantas mortificações!... Vida que se faz, desfaz e re-faz em infinitos ciclos de transformações... eternas metamorfoses de almas, sutilmente refletidas no visível... Meta(morte)fases?...
...Dormes, teu sono de Rainha e Anja, de Abelha produtora de mel de amoras & amores... Sono que velo, invocando anjos curadores e pedindo aos Céus que teu repouso seja abençoado, pois que és doce criatura, divinamente criativa, delicada e bela feito flor, mas também forte e plena, permanente e profunda, com tua alma de aço-e-oceano...

O afeto sagrado que sinto desde as profundidades até a superfície da epiderme participa de planos cósmicos muitas vezes incompreensíveis – mas que me encantam e comovem, transportam e transformam, me lançando em mergulhos e vôos aos abismos e labirintos do eu, do tu, reinventando cores, alegrias e laços, provocando lágrimas, angústias e
cristalinos êxtases, causando encontros e colisões entre nossos eus-luz-e-sombra, desvios de rota, cintilações e epifanias!...

...Enquanto velo teu sono de Fada soberana, te amo e clamo mais uma vez aos anjos invocados, solicitando que curem tuas coloridas asas, e então viajo por tempos e lugares, neste ponto crucial de nossas trajetórias e, neste encontro-desencontro abre-se uma fresta e aqui me acho, na primeira noite em que me convidaste a pousar no espaço encantatório
de teu ninho-casulo, onde, crisálida, te preparavas para renascer, majestosamente Borboleta! Das frestas de teu eu lýriko já se
entreviam as asas sedutoras, os mágicos olhares amorosos, femininos, fraternais, amantes-maternais... Pelas janelas entre-abertas de tua alma rara eu avistava luminosidades, raios de doçura, intensas e claras suavidades... Neste trânsito e entrecruzamento de caminhos, de lá para cá, vários vôos compartilhados, muitos pousos e algumas quedas, reciclagens e renascimentos constantes no tecer de nossas rendas...

...Desde aquele dia singular (ao visitar tua casa-oficina-escritório: atelier de sonhos reais) até este instante enluarado, foram tantas e intensas, inumeráveis experiências vividas e vívidas, incontáveis passos no processo de desvendamento de nossos mundos íntimos, chuvas e sóis na permanente re-invenção de nós, que um ano é sentido como uma década plena de acontecimentos ou uma vida completa, compacta, composta de delícias e dores!!!...

...Retomo a direção de mim, e decido embarcar no navio fantástico do sono, velejar na penumbra dos sonhos, te encontrar do outro lado da noite estrelada, onde, talvez, eu possa prosseguir nestas divagações kaminsky-anas, entre lúcidas e ilógicas viagens...

...MORRO DE PAIXÃO E RENASÇO DE AMOR, transformada em rosada-morena AURORA!



6 de abr de 2006

vislumbres


Entre-vejo-te...
Entre-vejo-me...
Entre-vejo-nos...

Entre visões e enviesados desejos voláteis, vislumbro cintilações e umidades em teus olhos tensos e ternos, bolhas pairando flutuantes fulgurantes no azul-lylás espaço, adivinhando sonhos, divagações e suspiros inauditos, desenhos em tua pele e laços em teu ser de alma florida, vivente e vibrante alma que busca mel de amores, amoras, pousando em amáveis e aladas almas leves habitantes de corpos frágeis-densos, em seus medos fundos-fluidos e efêmeros, encantadores mundos...

Entre-vejo a flor que, sem ser semeada, exala seu perfume no jardim de mim, entre um não e um sim... e procura espaço, paciente e docemente, sem se atrapalhar com tantos entrelaçamentos neste tecido bordado de raízes, pétalas e asas...