Exercícios poéticos, apaixonados e patéticos: pequenos mergulhos e vôos, para compartilhar...

27 de nov de 2007

Dádiva


Hoje, deixo aqui, para o deleite dos amantes das letras aladas, um belo poema do caríssimo amigo Carlos H. Leiros. Quem apreciar, pode encontrar outras delícias no site Almofariz (está entre a lista de links, ao lado).








Dádiva


como cartas sussurradas,
os anjos adormeceram.
dei-lhes – entre alguns afagos –
a vigilância do mundo,
a sensação dos dedos finos nos cabelos.
.
em troca jogaram guizos,
de suas campânulas de sonho,
que me caíram na fronte,
em lindas pétalas de brancura,
como quando choram os jasmineiros

.
.
Poema de Carlos Henrique Leiros
site Amofariz (ver links ao lado)

Imagem: "Ninfa Azul". Pintura de Ana Luisa Kaminski

22 de nov de 2007

ALÉM DO JARDIM



Em julho de 2006, quando estive em minha terra natal, Erechim (RS), fazendo a exposição de pintura "Entre Ânkoras & Asas", o músico Sérgio Intkar teve a idéia de usar algumas de minhas imagens em seu próximo CD. Fiquei feliz, e à espera...Agora, finalmente, neste final de 2007, o CD ficou pronto!!! Deixo abaixo o e-mail do Sérgio, para contato, caso alguém deseje comprar o CD, e também meus PARABÉNS aos que fazem da arte da música seu especial ofício: FELIZ DIA DO MÚSICO!!!

CD "ALÉM DO JARDIM"
Composição, arranjo e montagem: Sérgio Intkar
Pintura e Poesia: Ana Luisa Kaminski


>*e-mail: sergiointkar@hotmail.com

7 de nov de 2007

Orquidário do Olhar


Acontece que ela vivia às voltas com olhar porque via e recriava tudo que se apresentava aos seus olhos e aos seus sonhos. Ela materializava as asas, borboletas, orquídeas, almas que a faziam viver no limiar entre realidade e sonho, por isso, aos olhos dela o mundo era uma imensa aquarela imprescindível de pincel, cores, sons, vida-sonho, sendo esse o seu destino: pôr cor em tudo o que via, tocava, imaginava. Alar seres terrenos, abrir gaiolas, desencaixotar a luz.

Sabedora de seu dom, ela matizava sutilmente as asas de cada sonho e em cada vôo-olhar-aquarela deixava um portal mágico no qual só se entrava um de cada vez: cada ser voava e via asas, orquídeas, azul-lilás-róseo com a cor do sonho que carregava em si, desde sempre, desde que aprendeu a sonhar e desde que se esqueceu de como se sonha. E o portal se abre repleto de imagens que esvoaçam, fragmentam-se e se despedaçam ao olhar atônito de quem até então sentiu, mas não viu o portal aquém do sonho.

E porque anaquarela o olhar, ela oferece um pórtico mágico sutil e aprisionador. Alguns seres nem tão desavisados assim, adentram no mundo anaquarelado e vêem olhos tristes, ainda que cheios de sonhos...

Texto: Glória Azevedo
Imagem: Ana Luisa pintando azuis...