Exercícios poéticos, apaixonados e patéticos: pequenos mergulhos e vôos, para compartilhar...

16 de jan de 2008

Reinvenções Róseas


A vida se refaz e reluz
a cada sorriso e manhã
a cada captura e vôo
a cada libertação
dos olhares, das linhas, da luz
se desfaz e russurge, vivaz
a cada reinvenção
dos matizes, sentidos, da cor
a vida renasce e seduz...

(Ana Luisa Kaminski)

.........

Ouço a tua música
invisíveis acordes
que tocam no meu corpo
trêmulo e dissonante

tempestades.

loucura de pedra
lavada na chuva
molhada de lua
e desbarrancada no rio

liquefiz.


(Maria, do blog "Retalhando-Maria".Ver links ao lado.)


Imagem: "Confluências Rosadas". Pintura de Ana Luisa Kaminski

10 de jan de 2008

azul-noite

Na madrugada matizada de azuis, suplico aos Céus que semeiem flores-de-luz nos corações humanos, nos recônditos e porões, no âmago e na superfície das almas que habitam o planeta. A noite chove estrelas, silêncio e cor. Calo, e abro as asas.

(Ana Luisa Kaminski)
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RESTAURAÇÃO

procuro a paz que existe nas palavras
teimosamente
e às vezes é preciso raspar tantas camadas de pinturas sobrepostas
que quase desisto

palavras muito limpas e polidas
costumam cintilar como as estrelas

quem saberá
se existe paz nas estrelas?

(Adelaide Amorim)
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TENTANDO UM AZUL

tentar um azul
escoltado por infernais

arriscar uma rota
até as estrelas

quem sabe escapar
à voragem do tempo

e salvar-se da sina
do que é o pó:

ser um assunto
para os desertos

sob o olhar
da eternidade


(Héber Sales)

8 de jan de 2008

palavra-pluma


Palavra-pluma
voeja
viaja
levita
repousa
n'almazul
...
palavra-asa
palavra-pele
palavra-pedra
palavra-cor
...
palavra-prole
palavra-sôpro
palavra-luz:
vôos-viagens
vertigens-mapas
traça e traduz
...

1 de jan de 2008

Oníricos Olhares Orquidais


Para começar este ano, com votos de que seja alado, inspirado e poético para todas as almas amantes da Vida, trago algumas palavras da Morte, na voz de Markus Zusak:

Tive vontade de dizer muitas coisas à roubadora de livros, sobre a beleza e a brutalidade. Mas que poderia dizer-lhe sobre essas coisas que ela já não soubesse? Tive vontade de lhe explicar que constantemente superestimo e subestimo a raça humana - que raras vezes simplesmente a estimo. Tive vontade de lhe perguntar como uma mesma coisa podia ser tão medonha e tão gloriosa, e ter palavras e histórias tão amaldiçoadas e tão brilhantes.

Nenhuma destas coisas, porém, saiu de minha boca.
Tudo que pude fazer foi virar-me para Liesel Meminger e lhe dizer a única verdade que realmente sei. Eu disse à menina que roubava livros e a digo a você agora.

UMA ÚLTIMA NOTA DE SUA NARRADORA:

Os seres humanos me assombram.

(Markus Zusak, in A Menina que Roubava Livros)
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Imagem: "ONÍRICOS OLHARES ORQUIDAIS" (ou "Confluências Rosadas"), pintura de Ana Luisa Kaminski, em processo.