Exercícios poéticos, apaixonados e patéticos: pequenos mergulhos e vôos, para compartilhar...

19 de jan de 2006








Voyeur






A lagartixa corre para trás do quadro
(o qual olho e me olha, vivendo em meus olhos ) .
Espio a lagartixa que o quadro esconde
(tela que revela e fixa algo em meu olhar ).

A vida espia e é fugidia
Tal qual a lagartixa
Ou mais escorregadia ?

Ela me vê quando não a vejo
Eu a vejo, às vezes, a me observar...
Olhando-a capturo a vida em meu globo ocular.

O quadro opaco, silencioso, espera
A luz do mundo destilando, o olhar atrai
Esconde a lagartixa esguia, tímida e fria
Que o olho capturou no vazio, onde tudo se esvai.. .

Espiando a espiã, aparição da vida
Pelo próprio olho-ovo, na ocular redoma
Olho através da moldura (espelho-antro-abertura)
Capturo-me: fisgando, sou fisgada...


Ana Luisa Kaminski, 2002
Revisado em novembro de 2005
Re-visto em 2006

9 comentários:

Anônimo disse...

olho e vejo... tudo e nada... sim e não, talvez...

Anônimo disse...

Tudo e nada vejo...assim é a vida... um vazio de tudo!

Anônimo disse...

Mesmo com você...um vazio de tudo...não sei o que quero!?
Lybélula Lírica

Anônimo disse...

É você... não sei?
É a outra? tbém não sei?
Lybélula Lírica

Anônimo disse...

Nada tão vazio nem tão cheio,gotas que se tornam bolhas e ao lado das muitas asas ,sobem em vôos,novas imagens,desprendimentos do mundo,ilusões adiante,partes de mim,(in)completos eus,prontos para revisitar a terra.Poemas de enlevo,ternuras em palavras,imagens em sons...aqui estamos,ancoradosnuma pedra-terra,dura,firme,um entrelugar na travessia ,um estágio incipiente ao grande vôo a que estamos destinados.A leitura de seus poemas brilham e transparecem ,como gelos e encantam e aquecem,por desvelos.

Anônimo disse...

Anônimo?? ou Lybélula Lírika?

Anônimo disse...

Por trás dos olhos da carne, estão os olhos da alma... que vêem o invisível...

Anônimo disse...

Chega o dia do talvez
nada mais certo eu diria
não fosse o anonimato um dia
quase (im)perfeito ousaria
denunciar de uma vez
mas anonimato é mistério
quase-invisível poesia tal-e-qual
difere no tom de ironia
e se exclui pela moral

Prefiro viver os que sentem
o tom da iluminação
se não sentem,silenciem
prefiram ler e confiem
só falem com o coração...

Anônimo disse...

O surreal nos seus poemas é algo enternecedor .Lembrar o humano em nós,o animalesco em nós,a sutileza dos olhares em nós,é um registro indelével em suas escritas.Continue a nos lembrar quem somos no vasto mundo de concretos gnomos.