Exercícios poéticos, apaixonados e patéticos: pequenos mergulhos e vôos, para compartilhar...

4 de jun de 2007

Matizes...


...Porque, enfim, existem as delicadezas: memórias-matizes dos momentos mais doces, dos instantes leves e luminosos que compartilhamos... dos vôos e pousos em jardins invisíveis, sensíveis, inventados... dos mergulhos e ardentes arrebatamentos e abraços, no espaço sideral de teu coração-cosmos viajante... Sim, sonho, escrevo e envio poemas, e rememoro, pintando estrelas, espirais e véus, pois no íntimo perduram as lembranças e luzes, estas cintilações, ainda átomos-faíscas de tantos encantos e ternuras!... E, por preferir pensar em flores e na suavidade dos encontros aéreos, das epifanias corpóreas e iluminações profanas, secretamente sagradas, componho cândidas canções em meus abismos e céus redescobertos, monto mosaicos amorosos com cacos coloridos de ventos transparentes e nuvens violeta, esboços de sorrisos, prazeres, presentes, perfumes, papéis, pedaços de palavras bebidas em tua boca, partículas de brilhos colhidos em teus olhos, beijos de uva em teus lábios líricos... Por não querer manchar este tesouro (com restos de mágoas, nódoas de amarguras ou espinhos de desconfiança) preservo o mais puro néctar de tal precioso afeto em meu sangue, seiva lilás em minh´alma, em marcas indeléveis daquela que hoje sou... Se intensifico, fantasio, se o discurso parece delirante??? Pode ser, apenas, por me sentir flutuante-tran-lúcida, estrela derretida, poeira ou música alada-i-lógica, luz e calor solar, reflexo azul de lua cheia, pétala rosada e etérea que te acaricia em sonhos... E creio, sim, que existem asas...

*(Imagem: detalhe de "Cabeça Lilás". Pintura de Ana Luisa Kaminski.)

15 comentários:

jalves disse...

Azul...azul...azul, que fazer com todo este azul que me caiú no olhar?

Voltarei!

Um abraço deste lado do mar.

F. Reoli disse...

E como voam as palavras, impulsionadas pelas asas dos sentidos trazendo sempre, seja passado, presente ou fututo, as mais belas paisagens...
Beijos

héber sales disse...

asas? existem sim,
claro!
elas fazem cócegas
no meu cérebro
quando levantam vôo

beijo!

Priska disse...

Mulher alada,
asas tintas em azul
suave e forte.
Letras tecidas por uma borboleta, que inspira sensações e expira explosões de sensibilidade.
Um beijo na ponta de tuas asas e que teus dias sejam sempe azuis.

Anônimo disse...

Poeta Azul,
Eu de cá,fico me imaginando nessa imensidão de azul,deslumbrante,suave,ameno e cálido.Pq é assim que me sinto quando versejo entre tuas letrinhas,pincéis e cores.Beijos com matizes violetas.
Lady Vania.

Fabrício Brandão disse...

A resposta para as asas? Sim!! Elas existem no coração dos que se permitem ver, na vida, lampejos além de um mero horizonte comum. O olhar enamorado, típico do encantamento que resiste às intempéries, é capaz de recriar outros lugares mais próximos do que se imagina.

Beijos azuis, querida!

Leila Lopes disse...

É bom participar e se encantar com o teu vôo. Um sonho claro e me deixo com o mesmo gosto azul translúcido.
Beijos, querida

Lunna disse...

Gosto de vir aqui com calma, no meio da madrugada, mas agora é impossível. Então que seja no começo da noite que me reveste e abraça.
Suas palavras sempre me deixam ainda mais lenta, com sensações que obrigam o sorriso a existir e que bom que é assim.
Bem, mas você também está convidada para a festa.
Beijos

adelaide amorim disse...

Querida, viajar um pouco por aqui é como sair numa linda manhã de sol e céu azul, ver as flores colorindo caminhos, ouvir a suavidade do ar e respirar essa suavidade. Um beijo.

Rodrigo disse...

Mas você transpirou um sentimento de e do mundo, Ana. Você sabe que isso é forte, não é? Porque é no momento da criação que se encosta no não-eu do qual todos nós partimos em busca do eu - para depois nos distanciarmos deste encontro e tentarmos novamente. E este momento epifânico não toca somente a nós, mas a quem escuta a nossa arte. Por isso, em verdade te digo: não pare. Flua. Voe. Embeleze-nos com seu pó de palavras e imagens e sons mágicos.
Beijos e inspiração.

Gato Vadio disse...

Translúcida, etérea, enigmática: fluindo como bruma, envolvendo as dúvidas que mais se assemelham às charnecas em sua tepidez e abluição espiritual; hibérnicos instantes em que todas as emanações e xamânicos cânticos da alma de autêntica diva druídica, constroem megalíticos monumentos à poesia mais absorvente e mágica... Ana-Sacerdotisa das Letras, pitonisa encantada de versos incertos para a razão mais prosaica e mediana - porém suave melodia para os eternos viajantes da perfeição em forma de apanágica inspiração! Te adoro, até o fundo da minha insípida e inodora vidícula, poetisa de céltica verve...! teu, Gato Vadio.

Assis de Mello disse...

Tudo na Dama do Sótão
é translucidez de matizes

grão de pólen naufragado no cobalto
núvens diáfanas num manto de turquesa

são migalhas aspergidas
num suposto atol da prússia

o amar no azulejo português
lazulita no ultramar/água-marinha

As asas são pincéis
e a Dama faz um mundo

CHICO

Samsara Bodhanam disse...

Belíssimo texto! Devemos guardar vivos em nossas lembranças os bons momentos que tivemos, são eles que nos dão força nos momentos difíceis, que equilibra a balança dos prós e contra da vida.

Mônica Montone disse...

E é exatamente esse tipo de crença que nos faz viver, né?

beijos, querida

MM

Yuri Assis disse...

ah, que felicidade!
um arco-íris plana em águas rasas, vai pousando. mas respeita a tez delicada e azul.

bjos!