Entre tristezas e êxtases
transitamos
mas nem sempre habitamos
os abismos ou ápices
da ondulante emoção:
existe um terceiro espaço
entre-lugar volátil, duvidoso
híbrido, enevoado, nebuloso
uma triangular abertura
ou fresta, canal, passagem
limiar, lugar de luzes e doçura
bruma leve onde dança a aragem
e balança livre o pêndulo do tempo
qual mensageiro-mágico-dos-ventos
anunciador de imprevistos e surpresas
no tilintar dos musicais movimentos
réstias de sol matinal, delicadezas
retalhos de céu anil outonal
janelas de cortinas rendadas
pontes, portais e entradas
onde repousam as asas
amantes de luz e azul
onde renascem as almas
sensíveis, suaves, serenas
libertas de segredos ou medos
prenhes de seiva vital
reluzentes de ternura
e cristal...
***Dedico este poema à linda Leila Lopes,
alma luminosa que capta e traduz em suas imagens e palavras os sinais da doçura divina presentes no mundo, lugar de tantas ambivalências, paradoxos e mistérios...
Seu trabalho pode ser visto em:
Palavra e Destino
In Margens
(ver lista de links ao lado)